domingo, 23 de janeiro de 2011

~~'Clannad e Clannad after story

   
 Clannad significa família em Irlandês. É um anime divido em duas partes, Clannad e Clannad after story. Vale a pena ver as duas!
Uma história repleta de mistérios, segredos, passados esquecidos, mundos distintos, personalidades diferentes, problemas familiares e principalmente o valor da amizade e do amor.
É um anime lindo! Singelo! Forte! Divertido! E cheio de ensinamentos nas entrelinhas.
Prepare-se para rir muito e para chorar também.


 “Se desejar... gostaria que eu levasse você? Para um lugar nesta cidade, onde desejos se realizam.”


Dango Daikazoku (tradução) 

Dango dango dango dango dango grande família dango
Dango dango dango dango dango grande família dango


 Um dango malvado irritado, um gentil dango doce
Um dango sonhador olhando a lua
O dango de gergilin olha sempre orgulhoso
Quatro dangos no espeto
Coloque todos juntos para fazer uma família de cem 


O bebê dango está sempre feliz
O envelhecido dango já tem seus olhinhos estreitos
Os dangos dão as mãos para formar um grande círculo
Constroem uma cidade no planeta dango e todos riem juntos


Os coelhos acenam lá da grande lua
Tudo está girando, coisas felizes e tristes também


“Eu tive um sonho. E nesse sonho entendi um monte de coisas. Sobre mim e sobre você. Você quer ouvir?... Você atravessou a distância chamada de “mundo” para que nos encontrássemos. Estou muito feliz com isso. Agora você vai selar a sua consciência deste mundo. E acordar no outro mundo. Onde existem muitas coisas, e muitas pessoas para conhecer. E nós nos conheceremos.”

Chisana Te No Hira (Tradução)


Um mar de caules de arroz que balançam, balançam longe, longe
Navegue, na direção que os seus olhos gravaram,
Você se lembra de todas as coisas tristes que aconteceram até agora?


Mesmo com essas mãos pequenas, nós conseguimos passar por isto,
Ande para longe dos dias em que você chorava embaixo dos pés de uva.
Mesmo que essas pequenas mãos se separem,
Nós seguiremos nosso caminho,
E o dia com as nossas melhores memórias se aproxima.


As estações mudam os ventos frios
Agora nos envolvem no sono, em meio à música da primavera


Mesmo com essas mãos pequenas, nós conseguimos passar por isto,
Com muitos sorrisos refletindo em nossas bochechas molhadas,
Mesmo que essas pequenas mãos se separem,
Nós seguiremos nosso caminho,
E então o dia virá, em que nossas memórias chegarão ao fim.


Mesmo com essas mãos pequenas,
Algum dia nós enfrentaremos isto,
E finalmente o dia virá em que uma nova estação começará...


Nagisa: "Você gosta dessa escola? Eu gosto muito, muito dela. Mas nada será o mesmo para sempre.As coisas felizes, as coisas divertidas, tudo.Tudo um dia tem que mudar .Mesmo assim você vai conseguir gostar desse lugar?"





quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

~~'Brilho de uma paixão e John Keats


   Filme que retrata a história de John Keats, poeta inglês do século XIX, o último dos românticos, que morreu jovem, aos 25 anos e teve um único amor na vida, Fanny Brawne. Um amor tão poético quanto etéreo e platônico.
   Keats não podia se casar com Fanny por não ter dinheiro. Por isso, seu amor é sublimado nas cartas e poemas. 


   A paixão entre os dois poderia explodir, não fossem as amarras das convenções sociais da época.
   Mesmo após a morte de Keats, Funny viveu com saúde por muitos anos. Ela nunca o esqueceu ou retirou o anel que ele lhe dera.
   O título original do filme "Bright Star" (Estrela Brilhante) foi retirado do título de um dos poemas mais famosos de Keats, poema esse que foi feito pra Fanny.


Estrela Brilhante
Estrela brilhante- quisera fosse inabalável como tu és-

Nem diante do solitário esplendor protelarias a noite
E observando, com eterna indiferença
Como paciente da natureza, o insone eremita,
O movimento das águas na sua religiosa tarefa
De purificar os confins dos mares, toldados pelos homens,
Ou fixar-se sob a máscara suavemente caída
No cume das montanhas e da terra infértil;
Não. Mas ainda inabalável, ainda imutável,
Repousaria sobre o seio maduro do meu justo amor,
Para sentir sempre a sua macia imensidão e
Despertar para sempre em uma doce inquietude,
Ainda, ainda a ouvir o seu suave respirar,
E assim vive-se para sempre ou agoniza-se até a morte
.
John Keats   
 

“Acho que a esperança é útil. Mas esperança e resultados são diferentes. Um não cria necessariamente o outro"

Uma das muitas cartas:
"Minha querida dama,


    Estou agora à janela de um chalé muito agradável olhando para um belo pais montanhoso, com vista para o mar. As manhãs são excelentes.
    Não sei o quão elástico meu espírito possa ser, que prazer posso ter vivendo aqui se a sua lembrança não pesasse tanto. Pergunte-se, meu amor, se não está sendo muito cruel me podando, destruindo minha liberdade.
    De minha parte, não sei como expressar tamanha devoção. Quero a palavra mais brilhante das brilhantes, a mais justa das justas.Quase desejo que fôssemos borboletas e vivêssemos somente três dias de verão. Três dias a seu lado, e poderia preenchê-los de mais encanto do que 50 dias comuns jamais teriam.
    Você confessaria isso em uma carta?
    Escreva imediatamente e faça tudo o que puder para me consolar, torne-a rica como um esboço de papoulas, para me intoxicar. Escreva as palavras mais doces e beije-as para que eu possa, ao menos, tocar meus lábios onde os seus estiveram."

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~~John Keats ~~
Fanny Brawne e John Keats )

    Keats nasceu em Londres no dia 31 de outubro de 1795, e faleceu em 23 de fevereiro de 1821.
    Ele foi um poeta inglês, o último dos poetas românticos do país, sendo uma das principais figuras da segunda geração do movimento romântico, apesar de sua obra ter começado a ser publicada apenas quatro anos antes de sua morte. Durante sua vida, seus poemas não foram geralmente bem recebidos pelos críticos; ele morreu acreditando ser um fracasso, sua reputação, no entanto, cresceu à medida que ele exerceu uma influência póstuma significativa em diversos poetas posteriormente.
   Hoje ele é reconhecido como um dos maiores poetas românticos da história.
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ODE A UM ROUXINOL

John Keats

I

Dói-me o coração, e um torpor letárgico
Fere meu sentido, como se tomasse cicuta
Ou ingerisse até o fim algum ópio
Instantes atrás, e ao Lestes me precipitasses.
Não que inveje teu alegre destino
Mas por ser feliz com a tua alegria-
Que tu, Dríade das leves asas,
Em algum lugar melodioso
De faias verdes, e sombras incontáveis,
Celebras a plena voz teu canto de verão.

II

Oh! Gole farto de vinho velho!

Fresco há muito no profundo coração da terra,
Com sabor de Flora e verdes prados,
Dança e canção Provença, alegria queimada de sol!
Oh! Taça plena do quente Sul
Cheia da vera e rubra Hipocrene
Com borbulhas qual contas piscando nas bordas,
Boca tinta de púrpura;
Se pudesse beber, e sumir deste mundo,
E contigo desvanecer na floresta escura.

III

Desvanecer, dissolver e deslembrar
O que tu entre as folhas jamais conhecestes:
O fastio, a febre, e o frêmito
Aqui, onde os homens sentam e se escutam gemer;
Onde a paralisa agita os últimos parcos cabelos brancos,
Onde os jovens empalidecem, e morrem qual espectros;
Onde apenas pensar causa a dor
E o desespero dos olhos plúmbeos,
Onde a beleza não pode sustentar seus olhos brilhantes,
Nem um novo Amor definhar mais um dia.

IV

Longe! Longe! A ti voarei,
Não na carruagem de Baco e seus leopardos,
Mas nas invisíveis asas da Poesia,
Embora o turvo cérebro retarde e confunda.
Já contigo estou! Suave é à noite,
E talvez a Rainha-Lua esteja em seu trono
Cercada por Fadas estelares;
Mas aqui não há luz,
Senão aquela que do céu com as brisas sopra
Pelas glaucas trevas e sendas sinuosas de musgo.

V

Não vejo que flores estão a meus pés,
Nem qual suave incenso dos ramos exala,
Mas, na treva embalsamada, desvelo o aroma
Que cada mês regala
A relva, a coifa, as frutíferas árvores silvestres;
O alvo espinheiro e a madressilva pastoral,
As violetas que sedo murcham veladas sob as folhas;
E a primeira filha dos meados de maio,
A rosa de almíscar, no vinho de orvalho imersa,
Murmúrea paragem de moscas das tardes verão.

VI

No escuro escuto; por várias vezes
Que tenho sido seduzido pela suave morte,
Dando-lhe ternos nomes em versos refletidos,
Para que pegasse no ar meu sutil alento;
Nunca como agora me parece tão boa a morte,
Findar a meia-noite sem nenhuma dor,
Enquanto tu entorno desvaneces a alma
Neste êxtase!
Ainda cantarias,e de nada valeriam meus ouvidos,
Ao teu alto réquiem em terra transformado.

VII

Não nasceste para a morte, Ave imortal!
As gerações famintas não pisam em ti;
A voz que escuto essa noite foi ouvida
Pelo palhaço e o imperador nos tempos remotos.
Talvez a mesma melodia que encontrou lugar
No triste coração de Rute, quando saudosa do lar,
Chorou entre o trigo estrangeiro;
A mesma que várias vezes encantou
As mágicas janelas, abertas sobre a espuma
Dos mares perigosos, nas encantadas terras perdidas.

VIII

Perdidas! Esta palavra é como um sino
Que, dobrando, me faz voltar a mim mesmo!
Adeus! A fantasia não pode tanto iludir
Como parece, ó elfo ludibriador.
Adeus! Adeus! Teu hino pungente se esvai
Além dos prados vizinhos, sobre o tranquilo riacho,
Subindo o monte; é agora profundamente enterrado
Nas clareiras do vale ao lado.
Foi esta uma visão ou sonhei desperto?
A música se foi - Estarei dormindo ou acordado?



“Um poema precisa ser compreendido através dos sentidos. O propósito de mergulhar em um lago não é imediatamente nadar para a margem, mas estar no lago para regalar-se com a sensação da água... A poesia conforta e incentiva a alma para aceitar o mistério.”



John Keats

   

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

~~'Sem destaque- Dinely Borges

Há uma razão sincera
Embora eu não saiba qual
Da esperança que nasce,
Assim como as flores em novembro,
Sempre que o vejo partir.

Deixando para trás um espaço
Tão somente seu que nem mesmo o vento
Poderia preencher.
Encontrando-o nas lembranças
Trazidas pelo calor do sol
E nos sonhos de noites longas,
Sob o brilho estrelar.

Ainda que retornes
Envolto em mistérios,
Crisparei sem receios as mãos
Entregando ao teu gentil olhar,
O quanto o venero.

Os mesmos olhos serenos,
-Os que nunca esquecerei-
Pousam em mim tenra sensação
Que de mim também,
Mesmo através dos tempos, nunca se esquecerão.

Você que de longe veio,
Revestido pela alvura das cordilheiras,
Figurando a tua imagem por outros ares
Ensinou-me o sabor da saudade.

Fez todos os meus versos parecerem rudes
Diante das mais puras e sincronizadas palavras,
Destiladas uma a uma, ritmadas como música,
Para que eu compreendesse o quanto sentia amor.

Aquele que não voltou
Se eu pudesse descrevê-lo
Eu apenas estaria a textualizar
Dizendo que és perfeito
E o que é perfeito não tem algo que possa se destacar.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

~~'Amor verdadeiro e um pouco de Taj Mahal


Para mim, o amor que se faz forte é aquele construído com alicerce de pedras no qual o melhor operário é o tempo. Amor imediato é muitas vezes apoiado em alicerce de ilusões e vai tão cedo quanto chega... E ainda não podemos julgá-lo amor se não perdura na alma para a eternidade.
-Dinely Borges-
-----#-----

~Taj Mahal~

É uma das 7 maravilhas do mundo. Mas está além disso, representa o amor e toda eloquência que esse sentimento pode ser. Amor esse que nasceu em plena juventude, quando Kurram se enamorou de uma princesa aos 15 anos de idade.
A história diz que os jovens cruzaram-se por acaso, mas os seus destinos foram unidos para todo o sempre.
Após uma espera de 5 anos sem poderem se ver, em 1612 eles casaram. A princesa passou a ser chamada de Mumtaz Mahal ou  "A eleita do palácio. O príncipe foi coroado em 1628 e passou a se chamar de Shah Jahan "Rei do mundo".
Porém, Mumtaz morreu ainda jovem, com apenas 39 anos, ao dar a luz do 14ª filho no ano de 1631. O imperador ficou inconsolável e muito entristecido desde então. Dizem que toda a corte chorou a morte da rainha, e durante 2 anos não houve músicas, festas ou celebrações de espécie alguma em todo reino.
Shah Jahan ordenou então que fosse construído um monumento sem igual, para que o mundo jamais pudesse esquecer, reunindo em Angra (Índia) as maiores riquezas do mundo, surgindo assim o Taj Mahal. Sendo que Taj significa coroa e Mahal lugar, também fazendo referência ao nome da rainha.
Após perder o poder, o imperador foi encarcerado no seu palácio e, a partir dos seus alojamentos, contemplou a sua grande obra até à morte. O Taj Mahal foi, por fim, o refúgio eterno de Shah Jahan e Mumtaz Mahal. Posteriormente, o imperador foi sepultado ao lado da sua esposa, sendo esta a única quebra na perfeita simetria de todo o complexo do Taj Mahal.
-----#-----
Taj Mahal por Euler Luther Walkan
A rima nutre o amor sincero em rara estima
Dentro do rórido e cálido coração, Taj Mahal,
Abriga providencial o eterno romance sentimental,
Em uma paixão sem-fim, eximia obra-prima.

Em lúcidos e perolados marfins, alvos portais,
Sem macula mostra a pureza do sentimento.
Sensos e filosofias além desses nobres portais
Eternizam com carinho agradáveis momentos.

Mármores sagrados adornam perfeitos e belos
O suntuoso e místico palácio da fidelidade.
Quem dera assim fossem todos os castelos
Feitos de afetos estreitos em envolvente realidade.
Nada pode romper com hispidez amorosos elos
Pois a força do nobre amor protege-o bem,
Desígnio notável em afável eternidade.

Na branda brisa esse amor se acaricia
Abre suas asas vivas e voa, se delicia,
Segue plácido, entregue ás mãos do destino,
Sua vontade dá por gentileza, belo presente,
Imenso, sagrado Taj Mahal, divino.

Deuses magníficos e arábicos cupidos do amor
Reverenciam a nobre intenção do amante
Ao dar a sua beldade, eterna mulher amada,
Um repouso em digno sentir diamante.

Aos olhos de humanos mortais o Taj Mahal
É beleza edênica em eterna história de amor.
Ele inspira novos amores á grandes paixões,
Ele eterniza o amor em altar magnificador.

No sonho sublime o amor não pode ser quimeras
Quando o desejo é amar por eternas primaveras.
No viver romanesco o amor deve ser belo oceano
Quando o aconchego se renova no inverno
Das ilusões que foram para sempre perdidas.
Que os corações abracem somente emoções luzidas.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

~~'Faroeste Caboclo - Legião urbana


Não tinha medo o tal João de Santo Cristo
Era o que todos diziam quando ele se perdeu
Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda
Só pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu

Quando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com um tiro de soldado o pai morreu
Era o terror da cercania onde morava
E na escola até o professor com ele aprendeu

Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
Que as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar

Ele queria sair para ver o mar
E as coisas que ele via na televisão
Juntou dinheiro para poder viajar
De escolha própria, escolheu a solidão

Comia todas as menininhas da cidade
De tanto brincar de médico, aos doze era professor.
Aos quinze, foi mandado pro o reformatório
Onde aumentou seu ódio diante de tanto terror.

Não entendia como a vida funcionava
Discriminação por causa da sua classe e sua cor
Ficou cansado de tentar achar resposta
E comprou uma passagem, foi direto a Salvador.

E lá chegando foi tomar um cafezinho
E encontrou um boiadeiro com quem foi falar
E o boiadeiro tinha uma passagem e ia perder a viagem
Mas João foi lhe salvar

Dizia ele: "Estou indo pra Brasília
Neste país lugar melhor não há
Tô precisando visitar a minha filha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar"

E João aceitou sua proposta
E num ônibus entrou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Saindo da rodoviária, viu as luzes de Natal

"Meu Deus, mas que cidade linda,
No Ano-Novo eu começo a trabalhar"
Cortar madeira, aprendiz de carpinteiro
Ganhava cem mil por mês em Taguatinga

Na sexta-feira ia pra zona da cidade
Gastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhador
E conhecia muita gente interessante
Até um neto bastardo do seu bisavô

Um peruano que vivia na Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Pablo e ele dizia
Que um negócio ele ia começar

E o Santo Cristo até a morte trabalhava
Mas o dinheiro não dava pra ele se alimentar
E ouvia às sete horas o noticiário
Que sempre dizia que o seu ministro ia ajudar

Mas ele não queria mais conversa
E decidiu que, como Pablo, ele ia se virar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E sem ser crucificado, a plantação foi começar.

Logo logo os maluco da cidade souberam da novidade:
"Tem bagulho bom ai!"
E João de Santo Cristo ficou rico
E acabou com todos os traficantes dali.

Fez amigos, frequentava a Asa Norte
E ia pra festa de rock, pra se libertar
Mas de repente
Sob uma má influência dos boyzinho da cidade
Começou a roubar.

Já no primeiro roubo ele dançou
E pro inferno ele foi pela primeira vez
Violência e estupro do seu corpo
"Vocês vão ver, eu vou pegar vocês"

Agora o Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general

Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu

Ele dizia que queria se casar
E carpinteiro ele voltou a ser
"Maria Lúcia pra sempre vou te amar
E um filho com você eu quero ter"

O tempo passa e um dia vem na porta
Um senhor de alta classe com dinheiro na mão
E ele faz uma proposta indecorosa
E diz que espera uma resposta, uma resposta do João

"Não boto bomba em banca de jornal
Nem em colégio de criança isso eu não faço não
E não protejo general de dez estrelas
Que fica atrás da mesa com o cu na mão

E é melhor senhor sair da minha casa
Nunca brinque com um Peixes de ascendente Escorpião"
Mas antes de sair, com ódio no olhar, o velho disse:
"Você perdeu sua vida, meu irmão"

"Você perdeu a sua vida meu irmão
Você perdeu a sua vida meu irmão
Essas palavras vão entrar no coração
Eu vou sofrer as consequências como um cão"

Não é que o Santo Cristo estava certo
Seu futuro era incerto e ele não foi trabalhar
Se embebedou e no meio da bebedeira
Descobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar

Falou com Pablo que queria um parceiro
E também tinha dinheiro e queria se armar
Pablo trazia o contrabando da Bolívia
E Santo Cristo revendia em Planaltina

Mas acontece que um tal de Jeremias,
Traficante de renome, apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos de Santo Cristo
E decidiu que, com João ele ia acabar

Mas Pablo trouxe uma Winchester-22
E Santo Cristo já sabia atirar
E decidiu usar a arma só depois
Que Jeremias começasse a brigar

Jeremias, maconheiro sem-vergonha
Organizou a Rockonha e fez todo mundo dançar
Desvirginava mocinhas inocentes
Se dizia que era crente mas não sabia rezar

E Santo Cristo há muito não ia pra casa
E a saudade começou a apertar
"Eu vou me embora, eu vou ver Maria Lúcia
Já tá em tempo de a gente se casar"

Chegando em casa então ele chorou
E pro inferno ele foi pela segunda vez
Com Maria Lúcia Jeremias se casou
E um filho nela ele fez

Santo Cristo era só ódio por dentro
E então o Jeremias pra um duelo ele chamou
Amanhã às duas horas na Ceilândia
Em frente ao lote 14, é pra lá que eu vou

E você pode escolher as suas armas
Que eu acabo mesmo com você, seu porco traidor
E mato também Maria Lúcia
Aquela menina falsa pra quem jurei o meu amor

E o Santo Cristo não sabia o que fazer
Quando viu o repórter da televisão
Que deu notícia do duelo na TV
Dizendo a hora e o local e a razão

No sábado então, às duas horas,
Todo o povo sem demora foi lá só para assistir
Um homem que atirava pelas costas
E acertou o Santo Cristo, começou a sorrir

Sentindo o sangue na garganta,
João olhou pras bandeirinhas e pro povo a aplaudir
E olhou pro sorveteiro e pras câmeras e
A gente da TV que filmava tudo ali

E se lembrou de quando era uma criança
E de tudo o que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança
"Se a via-crucis virou circo, estou aqui"

E nisso o sol cegou seus olhos
E então Maria Lúcia ele reconheceu
Ela trazia a Winchester-22
A arma que seu primo Pablo lhe deu

"Jeremias, eu sou homem. coisa que você não é
E não atiro pelas costas não
Olha pra cá filha-da-puta, sem-vergonha
Dá uma olhada no meu sangue e vem sentir o teu perdão"

E Santo Cristo com a Winchester-22
Deu cinco tiros no bandido traidor
Maria Lúcia se arrependeu depois
E morreu junto com João, seu protetor

E o povo declarava que João de Santo Cristo
Era santo porque sabia morrer
E a alta burguesia da cidade
Não acreditou na história que eles viram na TV

E João não conseguiu o que queria
Quando veio pra Brasília, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz...

Sofrer..
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