quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

~~'Brilho de uma paixão e John Keats


   Filme que retrata a história de John Keats, poeta inglês do século XIX, o último dos românticos, que morreu jovem, aos 25 anos e teve um único amor na vida, Fanny Brawne. Um amor tão poético quanto etéreo e platônico.
   Keats não podia se casar com Fanny por não ter dinheiro. Por isso, seu amor é sublimado nas cartas e poemas. 


   A paixão entre os dois poderia explodir, não fossem as amarras das convenções sociais da época.
   Mesmo após a morte de Keats, Funny viveu com saúde por muitos anos. Ela nunca o esqueceu ou retirou o anel que ele lhe dera.
   O título original do filme "Bright Star" (Estrela Brilhante) foi retirado do título de um dos poemas mais famosos de Keats, poema esse que foi feito pra Fanny.


Estrela Brilhante
Estrela brilhante- quisera fosse inabalável como tu és-

Nem diante do solitário esplendor protelarias a noite
E observando, com eterna indiferença
Como paciente da natureza, o insone eremita,
O movimento das águas na sua religiosa tarefa
De purificar os confins dos mares, toldados pelos homens,
Ou fixar-se sob a máscara suavemente caída
No cume das montanhas e da terra infértil;
Não. Mas ainda inabalável, ainda imutável,
Repousaria sobre o seio maduro do meu justo amor,
Para sentir sempre a sua macia imensidão e
Despertar para sempre em uma doce inquietude,
Ainda, ainda a ouvir o seu suave respirar,
E assim vive-se para sempre ou agoniza-se até a morte
.
John Keats   
 

“Acho que a esperança é útil. Mas esperança e resultados são diferentes. Um não cria necessariamente o outro"

Uma das muitas cartas:
"Minha querida dama,


    Estou agora à janela de um chalé muito agradável olhando para um belo pais montanhoso, com vista para o mar. As manhãs são excelentes.
    Não sei o quão elástico meu espírito possa ser, que prazer posso ter vivendo aqui se a sua lembrança não pesasse tanto. Pergunte-se, meu amor, se não está sendo muito cruel me podando, destruindo minha liberdade.
    De minha parte, não sei como expressar tamanha devoção. Quero a palavra mais brilhante das brilhantes, a mais justa das justas.Quase desejo que fôssemos borboletas e vivêssemos somente três dias de verão. Três dias a seu lado, e poderia preenchê-los de mais encanto do que 50 dias comuns jamais teriam.
    Você confessaria isso em uma carta?
    Escreva imediatamente e faça tudo o que puder para me consolar, torne-a rica como um esboço de papoulas, para me intoxicar. Escreva as palavras mais doces e beije-as para que eu possa, ao menos, tocar meus lábios onde os seus estiveram."

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~~John Keats ~~
Fanny Brawne e John Keats )

    Keats nasceu em Londres no dia 31 de outubro de 1795, e faleceu em 23 de fevereiro de 1821.
    Ele foi um poeta inglês, o último dos poetas românticos do país, sendo uma das principais figuras da segunda geração do movimento romântico, apesar de sua obra ter começado a ser publicada apenas quatro anos antes de sua morte. Durante sua vida, seus poemas não foram geralmente bem recebidos pelos críticos; ele morreu acreditando ser um fracasso, sua reputação, no entanto, cresceu à medida que ele exerceu uma influência póstuma significativa em diversos poetas posteriormente.
   Hoje ele é reconhecido como um dos maiores poetas românticos da história.
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ODE A UM ROUXINOL

John Keats

I

Dói-me o coração, e um torpor letárgico
Fere meu sentido, como se tomasse cicuta
Ou ingerisse até o fim algum ópio
Instantes atrás, e ao Lestes me precipitasses.
Não que inveje teu alegre destino
Mas por ser feliz com a tua alegria-
Que tu, Dríade das leves asas,
Em algum lugar melodioso
De faias verdes, e sombras incontáveis,
Celebras a plena voz teu canto de verão.

II

Oh! Gole farto de vinho velho!

Fresco há muito no profundo coração da terra,
Com sabor de Flora e verdes prados,
Dança e canção Provença, alegria queimada de sol!
Oh! Taça plena do quente Sul
Cheia da vera e rubra Hipocrene
Com borbulhas qual contas piscando nas bordas,
Boca tinta de púrpura;
Se pudesse beber, e sumir deste mundo,
E contigo desvanecer na floresta escura.

III

Desvanecer, dissolver e deslembrar
O que tu entre as folhas jamais conhecestes:
O fastio, a febre, e o frêmito
Aqui, onde os homens sentam e se escutam gemer;
Onde a paralisa agita os últimos parcos cabelos brancos,
Onde os jovens empalidecem, e morrem qual espectros;
Onde apenas pensar causa a dor
E o desespero dos olhos plúmbeos,
Onde a beleza não pode sustentar seus olhos brilhantes,
Nem um novo Amor definhar mais um dia.

IV

Longe! Longe! A ti voarei,
Não na carruagem de Baco e seus leopardos,
Mas nas invisíveis asas da Poesia,
Embora o turvo cérebro retarde e confunda.
Já contigo estou! Suave é à noite,
E talvez a Rainha-Lua esteja em seu trono
Cercada por Fadas estelares;
Mas aqui não há luz,
Senão aquela que do céu com as brisas sopra
Pelas glaucas trevas e sendas sinuosas de musgo.

V

Não vejo que flores estão a meus pés,
Nem qual suave incenso dos ramos exala,
Mas, na treva embalsamada, desvelo o aroma
Que cada mês regala
A relva, a coifa, as frutíferas árvores silvestres;
O alvo espinheiro e a madressilva pastoral,
As violetas que sedo murcham veladas sob as folhas;
E a primeira filha dos meados de maio,
A rosa de almíscar, no vinho de orvalho imersa,
Murmúrea paragem de moscas das tardes verão.

VI

No escuro escuto; por várias vezes
Que tenho sido seduzido pela suave morte,
Dando-lhe ternos nomes em versos refletidos,
Para que pegasse no ar meu sutil alento;
Nunca como agora me parece tão boa a morte,
Findar a meia-noite sem nenhuma dor,
Enquanto tu entorno desvaneces a alma
Neste êxtase!
Ainda cantarias,e de nada valeriam meus ouvidos,
Ao teu alto réquiem em terra transformado.

VII

Não nasceste para a morte, Ave imortal!
As gerações famintas não pisam em ti;
A voz que escuto essa noite foi ouvida
Pelo palhaço e o imperador nos tempos remotos.
Talvez a mesma melodia que encontrou lugar
No triste coração de Rute, quando saudosa do lar,
Chorou entre o trigo estrangeiro;
A mesma que várias vezes encantou
As mágicas janelas, abertas sobre a espuma
Dos mares perigosos, nas encantadas terras perdidas.

VIII

Perdidas! Esta palavra é como um sino
Que, dobrando, me faz voltar a mim mesmo!
Adeus! A fantasia não pode tanto iludir
Como parece, ó elfo ludibriador.
Adeus! Adeus! Teu hino pungente se esvai
Além dos prados vizinhos, sobre o tranquilo riacho,
Subindo o monte; é agora profundamente enterrado
Nas clareiras do vale ao lado.
Foi esta uma visão ou sonhei desperto?
A música se foi - Estarei dormindo ou acordado?



“Um poema precisa ser compreendido através dos sentidos. O propósito de mergulhar em um lago não é imediatamente nadar para a margem, mas estar no lago para regalar-se com a sensação da água... A poesia conforta e incentiva a alma para aceitar o mistério.”



John Keats

   

2 comentários:

  1. Gosto muito John Keats e do tua pagina tem um pouco de tudo que John fez durante sua curta vida e sua querida de Fanny amou para tudo sempre sofrendo ao mesmo tempo sempre amando com todas as suas forças nunca conseguiu para de pensar nele é pena ele ter morrido de forma toa brusca mas sempre amou a sua querida Fanny ate ao seu ultimo momento de vida

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  2. Um amor devotado, mas não tolo. Um amor abafado pelas convenções, pelo o que diziam ser o certo. Não vejo mudança alguma na sociedade dos dias atuais. Quantas pessoas silenciam o amor para não enfrentar as convenções. Porém, não reconheço nos dias atuais homem devoto ao amor impossível como foi John Keats e nem uma mulher mais leal ao amor de alguém como Fanny.

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