domingo, 20 de março de 2011

~~'Como um velho barco - Dinely Borges


Os caminhos passados
Seguem-me como os ventos de verão.
Se houver nesse mundo um lugar
Em que eu possa esquecer as chuvas
Que me calaram o coração
-Eu o encontrarei-

Se eu pudesse
Dizer adeus ao ontem,
Como dizem aqueles que sopram
A mentira revestida de verdade,
Estaria sendo igual aos desertores.

A gravidade disso está além de meus olhos.
Ainda há de vir o sol,
O amor esperado que enfim
Possibilitará o azul celeste
Das manhãs infinitas.
-Eu o esperarei-

Sendo assim, como um velho barco
Navegarei por oceanos desconhecidos,
Atravessando as marés
Sem o mundo temer.

Surgirei no horizonte
E perguntarás quem nele viaja,
E se veio de terras distantes,
Supondo ser alguém importante.
-Eu o responderei-

Sou apenas um velho barco
Que outrora foi levado
Pelas previsíveis monções.
Sou um casco usado
Que a neblina não naufragou.
Esse velho barco, que a tempestade não afundou.
Mas sou obra da vida,
Madeira esculpida
Por um peito que amou.

sábado, 19 de março de 2011

~~'Canteiros -Cecília Meireles


Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade,
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade.

Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento,
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento.

Pode ser até amanhã
Cedo, claro, feito o dia,
Mas nada do que me dizem 
Me faz sentir alegria.

Eu só queria ter do mato
Um gosto de framboesa,
Para correr entre os canteiros
E esconder minha tristeza.

E eu ainda sou bem moço
Para tanta tristeza...
E deixemos de coisa,
Cuidemos da vida,
Senão chega a morte
ou coisa parecida
E nos arrasta moço
sem ter visto a vida.

quinta-feira, 17 de março de 2011

~~'Força que se tem -Dinely Borges


Não penses ser possuidor das forças dos mares,
Como que se carregado por um tsunami,
Os sentimentos podem ser indomáveis.

Mas não lhe falhe as esperanças,
Ainda que não haja apelo ou cobrança
Para não se afogar.
Apenas não deixe de nadar.
E quem sabe as ondas o levem
Onde a areia quente beija o mar.

Então se descobrirá verdadeiramente forte,
Pois até com a morte, pôde lutar.
Não há corrente nem maré
Se o reflexo que vem da alma é a fé,
Disfarçada por virtude, ainda que inaudita.
-Amostra viva para não desanimar-

Só é forte quem provou
E em si mesmo acreditou.
Sem titubear, vive entre a turbulência e calmaria,
Ciente da força que se tem.


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