sexta-feira, 8 de julho de 2011

~~'Parágrafo-Dinely Borges


E dizer o que eu era, me faria ser. Não que eu fosse, ou que imaginasse ser. Mas se daquele momento em diante eu acreditasse, então seria. Só que o vento disse, e foi mais claro que um relâmpago. Ele disse que não diria. Então eu não sei o que estou. Não sei estar alegre ou triste. Não sei me repartir nas lágrimas ou em sorrisos, mas acontece e eu me reparto. É que eu não reclamo também. A alma sempre tentando compreender. Logo me arrependo. A palavra que não serve para dizer. Então para que serve? Talvez o problema, e como eu já esperava antecipadamente, nem se quer posso dizer premonitoriamente, o problema sou eu. Eu e a única coisa que sei de mim. E a única coisa de mim que eu sabia, era que eu não estou... Acho que não estou; eu sou o estado de não ser! O estado de não ser me remetendo ao nada. Porque o nada não se classifica, nem se quer se pensa. E por não se pensar, se aceita. Eu sou o verdadeiro nada. Porque eu nunca escolhi, nunca me foi permitido escolher. Sempre escolhida. Sempre aceitando. E ser o estado de não ser não me garante o luxo de questionar. Mas acontece que uma hora a gente cansa da gente. O que sou é tão raro quanto qualquer outro. O que sou é tão calmo, que qualquer mudança seria demasiadamente forte. Quem diria talvez eu goste de não ser, talvez eu seja para isso. E se agora me conformo com isso, não serei jamais a brisa, não irei escolher, mesmo que isso me cause dor. Já sofro. Lágrimas teimosas represam os meus doloridos olhos. Como eu gostaria de ser, de escolher, escolher do meu jeito. Mas isso seria ser exatamente o contrário de mim. Ser o meu contrário não seria ser eu. Ser o meu contrário é tão perigoso que me contêm. Eu de meu casulo, vejo o mundo, mas querendo mais. A sede inesgotável de sentir as minhas asas no vento. Logo ele, que fora gentil e claro, claro como um relâmpago, dizendo em suas parcas palavras, o que não poderia dizer. Olhei para o mundo e entendi. O meu querer é demais. É demasiadamente pesado, que de pesado não posso com ele. Se eu esticasse as minhas pequenas e ingênuas asas para o vento, e sutilmente, começasse a voar, furacões seriam formados nos Estados Unidos da América (Teoria do Caos).

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