domingo, 4 de dezembro de 2011

~~'Parágrafo-Dinely Borges



O estado de solidão jogava-a em um caminho, embora muitas vezes sombrio, mas repleto de certezas. E quando se desviava desse caminho, o seu mundo dividia-se em dois. A realidade era incerta e gritava. Gritava amor... Ela que em outra época dissera que andava sempre do mesmo jeito, que matinha sentimentos imutáveis e esperava o desespero como quem espera ansiosamente alguém querido... Ah, ele a lembrava o quão imutáveis eram os seus sentimentos. O tempo passava, mas ela não. Ela era em si, imutável, embora soubesse por sua solidão que a vida é transição e mudança. Ela que conhecia o amor e os seus mistérios de não lhe pertencer, ainda que ele vivesse nela, pulsando mais vivo que o desejado, ela não vivia nele, apenas o via. Espectadora de si mesma. Mas as águas de um mar suave tocaram em seus pés e o horizonte mostrou-lhe o nascer do Sol, um céu que nunca vira antes... Muito sutilmente deixou-se levar pelos braços do mar. Não olhara para a sua solidão, perdera-se de seu mundo de certezas. A única certeza agora era que vivia o amor, o amor que não existia, agora era suave. Em suas preces, ela agradece a Deus esses dias de luz, mas pede, como se esse fosse o seu único e último pedido: “... por favor, não me deixe afogar... por favor, não me afogue”. 

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